Campinas – São Paulo

Casa Vitória

Fachada frontal da Casa Vitória com brise ripado, pedra natural e jardim em aclive — IT Arquitetura, Campinas

Informações do projeto

Casa Vitória: arquitetura contemporânea brasileira de 750 m² no EntreVerdes, Campinas

A Casa Vitória nasce de uma premissa clara: unir a força visual da arquitetura contemporânea brasileira à escala e generosidade de um terreno de 1.000 m² em aclive, no condomínio EntreVerdes, em Campinas. O projeto da IT Arquitetura entrega 750 m² de área construída distribuídos em dois pavimentos — o acesso social no nível superior e a garagem semienterrada no subsolo, aproveitando o desnível natural do lote para criar uma chegada que impressiona antes mesmo de cruzar a porta.

Uma fachada que conta sua própria história

A composição da fachada da Casa Vitória é deliberada em cada camada. O embasamento em pedra natural ancora o volume ao solo com materialidade bruta e permanente. Sobre ele, um painel de brise ripado em tom natural ocupa toda a extensão do pavimento superior, filtrando a luz e projetando sombras em movimento ao longo do dia. A caixilharia em alumínio negro e os grandes panos de vidro completam a tríade de materiais que define a identidade contemporânea do projeto. A cobertura plana com balanços generosos reforça a horizontalidade da volumetria e cria sombra natural nas varandas: funcionalidade e estética em equilíbrio. Não há ornamento — a potência visual vem da precisão dos materiais escolhidos e da qualidade de execução que transforma cada detalhe em argumento de projeto.

O aclive como recurso de projeto

Em vez de planificar o terreno, a IT Arquitetura usou o aclive a favor da composição da Casa Vitória. A escadaria escultural em concreto branco sobe o jardim em ondas suaves, ladeada por palmeiras reais e vegetação tropical densa. O percurso até a entrada transforma-se em uma promenade arquitetônica: cada degrau revela um novo enquadramento da fachada. Na lateral, a rampa de acesso veicular desce entre um muro de contenção em pedra bruta e o limite do lote, conduzindo até a garagem coberta com capacidade para múltiplos veículos. A iluminação rasante embutida no piso — warm white — converte esse percurso em um acesso sofisticado mesmo à noite. Em terrenos planos, essa sequência de experiências simplesmente não existe.

Área de lazer: privacidade, natureza e presença

Nos fundos, a área de lazer organiza-se em torno de uma piscina linear com acabamento em pedra natural e iluminação subaquática. O deque em madeira cumaru posiciona as espreguiçadeiras à beira d’água, frente ao gazebo revestido em pedra bruta — elemento que cria ancoragem visual e protege do vento sem fechar o espaço. O paisagismo combina espécies de diferentes alturas — monsteras, bananeiras, gramíneas ornamentais e frangipanes — que preenchem as bordas do lote com camadas de verde e criam um limite vivo entre a piscina e as divisas. Spots rasantes e uplighting nas plantas garantem que o jardim seja tão dramático à noite quanto durante o dia.

Detalhes que definem o padrão

O corredor lateral em vidro negro e ripado conecta fachada e área de lazer com continuidade visual. Jardins internos iluminados, acessíveis por pequenas escadas com vasos escalonados, criam bolsões de natureza integrados à arquitetura. O pátio de transição com painel ripado e canteiro de pedra funciona como câmara de descompressão entre o social e o privado. A iluminação técnica, toda warm white, foi pensada como quinto material: revela texturas da pedra, recorta os planos ripados, separa volumes e transforma cada ambiente externo em uma cena autônoma após o anoitecer. É o tipo de decisão invisível quando bem feita — e que separa projetos de alto padrão de projetos que apenas parecem ser.

Perguntas Frequentes

O que define o estilo contemporâneo brasileiro em arquitetura residencial?
O estilo contemporâneo brasileiro se define pela combinação de materiais naturais robustos — pedra, madeira, concreto aparente — com elementos de precisão industrial como vidro e metal escuro. A vegetação tropical é parte da composição arquitetônica, não apenas paisagismo posterior. O resultado é uma arquitetura que conversa com o clima, a luz e a escala do Brasil sem copiar referências europeias ou norte-americanas. A Casa Vitória, no EntreVerdes em Campinas, é um exemplo direto desse partido.
O brise ripado é uma solução que filtra a luz solar direta sem bloquear a ventilação ou a visão. Em fachadas orientadas para o sol, ele reduz a carga térmica no interior e projeta sombras em movimento ao longo do dia — transformando a luz em elemento visual dinâmico. Além da função técnica, o brise ripado em madeira ou alumínio cria textura e profundidade à fachada, diferenciando o projeto de composições de vidro puro ou concreto liso.
Planificar um terreno em aclive custa caro, elimina as oportunidades de perspectiva que a inclinação oferece e apaga a identidade topográfica do lote. Usar o aclive a favor do projeto permite criar chegadas dramáticas com escadarias e rampas, separar garagem e área social em cotas distintas sem perdas de área, e posicionar a residência de modo que os andares superiores tenham vistas que terrenos planos jamais alcançariam. A Casa Vitória é um estudo de caso em como transformar desnível em argumento arquitetônico.

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